Acidente de carro

Costumo dizer, que é a melhor forma de eu me comunicar.
Não sei se é verdadeira, mas uma vez minha mãe me contou, que achava que eu era autista quando criança. Ela disse que me levou a diversos médicos porque eu já estava completando 3 anos e ainda não falava. Estava preocupada, ela me pedia as coisas, eu sabia o que era, entregava, mas não falava. Não tinha um comprometimento intelectual, só não falava.
Acho que eu não gostava mesmo...
Cresci assim, com poucas palavras...
O que eu gostava de fazer não precisava elaborar muitas falas....as brincadeiras de meninos são mais corporais e com as regras bem claras.
Soltar pipa, jogar bola, andar de bike, correr, jogar bolinha de gude, pique esconde, pique bandeirinha, taco, basquete, vôlei, todas essas coisas...não tem muito o que falar... no máximo o nome do outro: "Fulano, toca pra mim! ou Siclano, passa a bola"... enfim...cresci assim...entre "lobos"...pouco papo...muito movimento.
Quando adolescente, comecei a querer andar como as meninas, me enturmar. Por isso, eu comecei a observar e imitar os gestos delas..como andavam, mexiam no cabelo, como paravam pra conversar...até a maneira de falar....adolescente precisa pertencer a um grupo!rs
Meu poder de observação foi se ampliando... era uma questão de sobrevivência.
Cresci em uma cidade pequena e considero ainda bem machista.
Mulher não podia jogar futebol e eu....eu jogava melhor do que muitos homens.
Podem imaginar como foi isso em plena década de 80. Ainda nasci na época da Ditadura...
Mas meu corpo falante seguiu seu rumo...
Com 12 anos comecei a fazer teatro no segundo andar da Casa da Cultura de Angra, o professor era o Zequinha Miguel. Eu era muito tímida pra falar... me sentia insegura, mas eu e minhas duas irmãs nos matriculamos juntas e a Silvia, a mais nova, era muito engraçada. Ela tinha o dom de inventar histórias de improviso e isso me fazia relaxar...
O teatro foi muito presente em nossa casa. Todo aniversário tinha uma peça que interpretávamos. Até filmagem rolava. Vizinhos participavam da peça e nossos pais eram a nossa plateia. Era divertido!rs
Fiz faculdade de Educação Física e descobri durante a licenciatura outros mundos, outras formas de experimentar o corpo. Me matriculei no grupo de dança! Foi um grande desafio! Eram só mulheres... com movimentos sincronizados, gestos femininos... eu não conseguia "me enquadrar" e entrar no ritmo do grupo...eu ria...ria de nervoso!!!
Sai! Voltei pro esporte! Tudo que tinha bola eu dominava! Voltei pro lugar seguro.
Em 2007, acidente de carro! Lesão de chicote. - Fiquei travada na cama:1 mês (ou melhor 720 horas ou 43.200 minutos). Para tudo!!! como assim??? Tive que me reinventar... eu odiava academia, mas lá eu voltei a me sentir melhor. Esse mês ficou registrado em meu corpo e até hoje eu sinto medo de fazer alguns esportes, alguns movimentos e sentir a dor que senti: eu não conseguia manter a minha coluna erguida... respirar me fazia sentir dor!

Bom, vou parar por aqui... outro dia eu continuo a partir desse momento de minha vida!

Grande abraço,

Sthefânia Suckow

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